domingo, 14 de julho de 2013

13 de julho!

                                              (Os Paralamas do Sucesso - Selvagem)


Ahá! Quem disse que nosso blog ficaria por fora do Dia Internacional do Rock?
Pois bem, aqui está um dos mais conhecidos BRocks em forma de protesto dos anos oitenta. Apesar de se referir à situação política vivida pelo Brasil na época, essa canção traz uma sensação incrível de atualidade. 


"A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar


O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard


A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar


Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar"




sábado, 13 de julho de 2013

DIa Nacional de Lutas

Há algumas semanas, o Brasil se viu sacodido com a explosão das manifestações nas ruas de todo o país. Há que tenha se surpreendido com a insurreição das massas, mas para esses, Chasin já dizia “em verdade, a História só surpreende aos que nada de História entendem”.
A verdade é que não foi uma indignação que se formou da noite pro dia, mas que já vinha sendo gestada há anos, indignação que teve o aumento das passagens em algumas cidades como a gota d’água. A a movimentação se deu primeiramente por conta do MPL (Movimento Passe Livre). Logo as manifestações receberam adesão de diversos setores da sociedade, que estavam lá cobrando dos governantes soluções para todo o descaso sofrido com respeito ao transporte, a saúde, a educação, a corrupção, a violência policial.
As bandeiras de luta foram e são tantas que muitas vezes a heterogeneidade do movimento se torna motivo de preocupação. Tivemos um movimento que cresceu em número e indignação, mas que não teve esse crescimento acompanhado por uma politização das massas.
É claro que havia também ali a classe trabalhadora organizada, seja em partidos, centrais ou coletivos, com pautas concretas, as quais eles defendem há alguns anos.
Mas quando se chama todo o povo para as ruas, é todo o povo que vai às ruas e isso inclui as maiores vítimas de todo o descaso acima e que acham que a solução é quebrar tudo, inclui uma população desiludida com as bandeiras de esquerda e que confunde o apartidarismo do MPL com antipartidarismo, inclui ainda um povo que, da noite pro dia, aderiu a um nacionalismo vazio. “O gigante acordou”, diziam. De lá pra cá, assistimos a uma guerra aos partidos, a infiltração de vândalos para descaracterizar o movimento e até mesmo a infiltração de policiais para “desmobilizar a manifestação” de dentro pra fora.
Bem ou mal, a essa altura o povo nas ruas já crescia e isso não podia ser ignorado. Tanto que, no dia 24 de junho, nossa presidente Dilma Rousseff teve de ir à tv e propôs um plebiscito sobre a reforma política. Dilma também propôs alguns “pactos em favor do Brasil”, mas pactos que teriam de ser aprovados pelo Congresso. Após essa pronunciação e a reunião com alguns “líderes” do movimento, as manifestações diminuiram em parte.
Enquanto no Congresso, a resistência à reforma política é grande, há uma suspeita de que o gigante tenha voltado a dormir. Talvez aquele gigante desnorteado, mas não os trabalhadores organizados. E o último dia 11 (quinta-feira) foi definido pelas centrais sindicais - "além da CPS-Conlutas, a Força Sindical, CUT, CTB, UGT, NCST, CGTB, CSB - como um dia de greves, paralisações e manifestações de rua" - o Dia Nacional de Lutas.
As centrais sindicais possuem uma pauta definida, onde reivindicam a redução dos preços e a melhoria da qualidade dos  transportes coletivos, mais investimentos na saúde e na educação pública, oposição à PL da terceirização, fim do fator previdenciário, aumento das aposentadorias, redução da jornada de trabalho, fim dos leilões das reservas de petróleo e a reforma agrária.




Um cartoon suíço sobre as manifestações brasileiras. O texto traduzido do balão diz: "Não funciona mais!"

Circuito Largo do Machado, Lapa, Catete e Glória




Esse circuito foi realizado pela turma de Técnicas Interventivas do Diurno para que os alunos pudessem observar o espaço, o público frequentador e as alterações feitas na arquitetura desse espaço ao longo dos anos, para que fosse possível criar um projeto de intervenção profissional.

O trajeto tem seu ponto de encontro e partida no Largo do Machado, onde já observamos uma simpática feirinha, com artigos de artesanato, roupas, bolsas, flores. A praça bastante ampla, conta com mesinhas onde vimos pessoas reunidas já pela manhã. Há também uma Academia da Terceira Idade, onde encontramos muitos idosos (mas não só) se exercitando e conversando entre si. A área é próxima a uma saída do Metrô do Rio e tem vários tipos de estabelecimentos em seu entorno, seja de lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, restaurantes, farmácias, bares e etc.

Seguimos pelo bairro em direção ao Catete, onde passamos por vários prédios históricos e pudemos ver a forma que o novo se contrasta com o antigo, o que não significa que um se sobreponha ao outro; tem-se a atmosfera de uma viagem ao passado ao mesmo tempo que se passa pelo presente. A própria delegacia do Catete, se encontra num prédio antigo. Não chegamos a entrar, mas recomendamos uma visita ao Palácio do Catete, antiga sede do executivo brasileiro de 1897 a 1960, hoje, atual Museu da República.

Do antigo bairro presidencial, seguimos para a Glória, bairro estrategicamente localizado entre as zonas sul e central da cidade do Rio de Janeiro, antigo berço da aristocracia, que conta com vários pontos turísticos e históricos como a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, o Palácio São Joaquim (sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro), a sede da Igreja Positivista do Brasil, a Marina da Glória e o Memorial Getúlio Vargas.

O percurso termina na Lapa, berço da boêmia carioca. O charmoso bairro é alvo das visitas dos turistas de toda a parte do mundo que vêm ao Rio e de grande número de cariocas. Com casas de shows tradicionais como o Circo Voador e a Fundição Progresso, e inúmeros bares e boates, a Lapa é ponto certo de diversão. Conta também com pontos turísticos como os belíssimos Arcos da Lapa, a Escadaria Selaron e o Museu da Imagem e do Som.

sábado, 8 de junho de 2013

"Elefante Branco" de Pablo Trapero

                                       
Elefante branco é "uma expressão idiomática para uma posse valiosa da qual seu proprietário não pode se livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. O termo é utilizado na política para se referir a obras públicas sem utilidade."
No filme dirigido por Pablo Trapero, "Elefante Branco" é o nome dado a uma favela - em Villa Virgem, periferia de Buenos Aires - a qual se formou ao redor das ruínas de um prédio que deveria vir a ser o maior hospital da América Latina. Após ter sua construção interrompida, o prédio abandonado torna-se alvo de invasões e principalmente local de reunião de jovens viciados em crack.
A trama traz como protagonistas os padres Julián e Nicolás e a assistente social Luciana. Estes trabalham em um projeto naquela comunidade com o objetivo de construir ali moradia para aqueles necessitados, com refeitório, creche, capela e sala de primeiros socorros. Arriscando suas próprias vidas, estes lutam no sentido de levar cidadania e dignidade àquela população. Julián, Nicolás e Luciana buscam, além de mobilizare as obras, retirar crianças e adolescentes do mundo das drogas e da criminalidade.
A implementação desse projeto se dá como uma luta diária, e eles encontram resistência na rivalidade entre os traficantes, na polícia, no poder público e na própria Igreja.
O poder público, frequentemente pressionado pela assistente social Luciana, relutava em fornecer recursos para o pagamento dos funcionários da obra. Esse poder tão ausente, se manifestava por vezes através do uso da força.
Ameaças constantes do narcotráfico, pressões e brutalidade da polícia, "ausência" do governo e hesitação dos outros membros da Igreja sobre até que ponto insistir nesse projeto. Esses são elementos do cenário em que se colocam nossos personagens.
Estes, além de lidar com os problemas sociais tão numerosos e alarmantes, vêem esses problemas se juntarem aos seus problemas individuais - se manifesta em todos, em algum momento, a vontade desistir.

O filme acaba com a morte violenta do padre Julián, morto pela polícia, mas não dá indícios dos rumos que o projeto tomaria após o fato. "Elefante Branco" é dedicado a Carlos Mugica, "assassinado em 1970 por um grupo de direita do governo peronista, certamente como conseqüência de sua atuação no Movimento dos Sacerdotes para o Terceiro Mundo", um padre e ativista comprometido com as lutas populares.